Por que sentimos dor?

As sensações que chamamos de dor – formigamento, queimadura, dor, picada e irritação – são as mais características de todas as modalidades sensitivas. A dor é, logicamente, uma submodalidade da sensação ligada ao tato, pressão e propriocepção (sensação do seu corpo no espaço) e tem uma função muito importante: alertar sobre danos que devem ser evitados e tratados.

Quando crianças com insensibilidade congênita à dor se machucam gravemente, a lesão pode não ser sentida e pode resultar em dano permanente.

Diferente de outras modalidades somáticas, e diferente da visão, audição e olfato, a dor tem um caráter urgente e primitivo, responsável pelos aspectos emocionais e afetivos da percepção da dor. Além disso, a intensidade com que a dor é sentida é afetada pelas condições ambientais e um mesmo estímulo pode produzir diferentes respostas em diferentes indivíduos sob condições semelhantes.

Determinados tecidos possuem receptores sensitivos especializados, chamados nociceptores, que são ativados por estímulos nocivos aos tecidos periféricos como a pele, por exemplo. A nocicepção, no entanto, não necessariamente leva à percepção da dor. Assim, apesar da dor ser mediada pelo sistema nervoso, a distinção entre dor e mecanismos neurais da nocicepção é importante para entendermos a natureza altamente subjetiva e individual da dor, sendo um fator de extrema importância que dificulta a definição da dor e o seu tratamento clínico. 

As 3 principais classes de nociceptores são: térmicos, mecânicos e polimodais. Os nociceptores térmicos são ativados por temperaturas extremas, acima de 45°C e abaixo de 5°C. Os nociceptores mecânicos são ativados por pressão intensa aplicada na pele. E os nociceptores polimodais são ativados por estímulos mecânicos, químicos ou térmicos (frio ou quente) de alta intensidade. Essas 3 classes de nociceptores são amplamente distribuídas na pele e tecidos mais profundos e frequentemente trabalham em conjunto. Por exemplo, quando batemos nosso polegar com um martelo, uma “primeira” dor aguda é sentida imediatamente, seguida posteriormente por uma dor mais prolongada, e algumas vezes por uma “segunda” dor de ardência. A dor aguda rápida é transmitida por fibras que carregam informações dos nociceptores térmicos e mecânicos. A dor difusa lenta é transmitida por fibras ativadas pelos nociceptores polimodais.

Não existem “estímulos dolorosos” (estímulos que invariavelmente geram a percepção da dor em todos os indivíduos). Por exemplo, muitos soldados feridos não sentem dor até que eles sejam removidos em segurança dos campos de guerra. Da mesma forma, atletas frequentemente não detectam lesões até que o jogo tenha terminado.

 

A dor pode ser persistente ou crônica. A dor persistente caracteriza muitas condições clínicas e é a principal razão pela qual os pacientes procuram o atendimento médico, enquanto que a dor crônica parece não ter qualquer propósito útil; ela simplesmente faz sofrer os pacientes.

 

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2 respostas para Por que sentimos dor?

  1. liza disse:

    Esse texto me ajudou muito!Brg *-*

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  2. leandrinho disse:

    nossa, a getne nem faz noção de como funciona nosso corpo huahuahua, mto legal esse post!!!

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