O perfil da fisioterapia na reabilitação cardiovascular no Brasil

Este estudo foi desenvolvido no Departamento de Cirurgia Cardiovascular da EPM/Unifesp – Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo


RESUMO: O estudo visou conhecer o modelo de atuação da fisioterapia em reabilitação cardiovascular (RC) no Brasil, bem como o perfil profissional do fisioterapeuta que trabalha com RC e o perfil administrativo dos serviços de RC. Foram obtidas 67respostas a um questionário disponibilizado na internet durante 2005, consistindo em 52 perguntas fechadas sobre a RC: 25 questões referentes ao modelo de atuação, 14 aos procedimentos de avaliação, 3 ao perfil acadêmico e profissional da equipe, 6 à administração do serviço de RC e 4 questões abertas para sugestões. A intervenção fisioterapêutica (IF) em RC está presente em cerca de 2/3 dos serviços estudados; dentre os que oferecem IF em RC, 63% iniciam a reabilitação no período pré-intervenção. O acompanhamento fisioterapêutico no pós-intervenção é realizado em 71% dos serviços nas unidades de terapia intensiva e em 75% nas unidades de internação. Na fase III da RC, 65% dos serviços oferecem tratamento supervisionado aos pacientes. O fisioterapeuta é o principal profissional ligado à administração do serviço e a maioria apresenta formação em nível de especialização. O presente estudo evidencia a necessidade de outros estudos sobre o tema, visando a padronização dos serviços e a criação de manuais de conduta.

Programas de RC são uma realidade em países desenvolvidos e contam com a participação de uma ampla gama de profissionais, com importante papel nas quatro fases da RC. Para detalhes sobre o tema, leia o post Fases de um Programa de Reabilitação Cardiovascular.

O fisioterapeuta profissional utiliza o exercício físico e a biomecânica como instrumentos de trabalho para eliminar ou reduzir limitações físicas e sociais causadas por afecções agudas e crônicas, tendo vasta área de atuação nas diferentes populações, incluindo indivíduos com doença cardiovascular. Entretanto,também parece não atuar em quantidade e qualidade suficiente, capaz de responder às demandas epidemiológicas nas diversas áreas.

Não foram encontrados na literatura dados sobre o número ou distribuição geográfica dos serviços de RC no Brasil. Acreditando que o melhor conhecimento do perfil de atuação do fisioterapeuta nos programas de RC poderia fornecer subsídios e estimular a realização de futuras pesquisas, o presente estudo nos fornece dados de outras variáveis, inclusive nos ajudando a entender esse cenário que está tão crescente, principalmente na fase IV.

Nas diferentes fases de atuação, o suporte à emergência não é uma realidade na maioria dos casos. Dentre os 47 serviços em que há atuação fisioterapêutica na fase III, apenas 34% oferecem suporte avançado no local; 32% o fazem em hospital próximo com suporte básico no local; 17% oferecem suporte básico no local com credencial a um suporte avançado; e outros 17% oferecem suporte básico no local sem credencial a suporte avançado.

PERFIL DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

Quanto às equipes que atuam nos serviços, pode-se constatar a diversidade dos profissionais diretamente envolvidos na RC, sendo os fisioterapeutas bem menos numerosos do que psicólogos ou nutricionistas. Em contrapartida, o fisioterapeuta é o principal profissional ligado à administração do serviço, seguido pelo médico, enfermeiro, nutricionista e psicólogo.

Recomendações da American Heart Association (AHA) e da American Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation (AACVPR) são de se iniciarem atividades de baixa intensidade nas primeiras 24 h de pós-operatório de cirurgia de revascularização do miocárdio e após 24 h do infarto agudo do miocárdio.

Em relação à fase III, a maioria dos centros realiza reabilitação de forma supervisionada. Um estudo recente mostrou que a RC não-supervisionada ou semi-supervisionada pode ser uma alternativa para aumentar a adesão ao treinamento físico em pacientes de baixo risco, além de oferecer custos inferiores quando comparados à RC supervisionada. A predominância da RC supervisionada nos serviços deste estudo pode significar que apresentam pacientes considerados de maior risco, ou que aspectos culturais e de infra-estrutura podem limitar o uso da reabilitação na modalidade não-supervisionada. Porém, devemos ter em mente que a atividade supervisionada por um fisioterapeuta ou educador físico faz toda a diferença na reabilitação ou na prevenção da doença, pois o treino desse paciente será voltado especificamente para ele, de forma personalizada.

Lembrando que o teste ergométrico é fundamental para a avaliação do paciente na fase III e IV, que permitirá a prescrição adequada de atividade física.

Para ler o artigo na íntegra acesse este link.

Veja também:
Reabilitação Cardíaca – qual a sua finalidade
Fases de um programa de reabilitação cardiovascular
Atendimentos Particulares – Reabilitação Cardíaca

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2 respostas para O perfil da fisioterapia na reabilitação cardiovascular no Brasil

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