Médicos vão receber treinamento para recomendar atividade física aos pacientes

Antes de dar a notícia, gostaria de expressar minha profunda opinião sobre este delicado tema, pois, além de levarmos em consideração que essa é uma medida americana adaptada para o Brasil, não podemos esquecer que os programas de saúde são bem diferentes nos 2 países (EUA e Brasil). Nós, fisioterapeutas e educadores físicos, estudamos 4 anos de graduação, fazemos especializações e cursos complementares para sempre nos mantermos informados e atualizados sobre prescrição de treino, atividade física e exercícios de reabilitação funcional. O médico no Brasil estuda 6 anos de graduação e não possui nenhuma disciplina que conste na grade “atividade física”. Estamos ficando acoados com as medidas tomadas da noite para o dia com relação às atuações médicas em outras áreas da saúde, como a renovação de exames médicos para academias a cada 6 meses e a medíocre prescrição de fisioterapia (TENS + US + OC 10 sessões). Acho esta atitude mais uma manobra velada do Ato Médico, mostrando que eles fazem e desfazem o que bem entendem na hora que querem.

Os médicos brasileiros NÃO ESTÃO APTOS A PRESCREVEREM ATIVIDADE FÍSICA. Estão aptos a ORIENTAR atividade física, encaminhando o paciente para um profissional habilitado, como o educador físico e o fisioterapeuta.

VAMOS ACORDAR!

Eis a notícia:

Um programa norte-americano que treina os médicos para que eles recomendem e prescrevam exercícios físicos a seus pacientes será lançado nesta quarta (03/10/2012) no Brasil.

O projeto “Exercise is Medicine” foi criado em 2007 pelo American College of Sports Medicine e pela American Medical Association e visa capacitar profissionais da área da saúde para a adição da atividade física aos tratamentos convencionais.

“Queremos que os profissionais entendam os benefícios da atividade física. A maioria ainda  tem receio, acha que o paciente pode quebrar algo, ter um infarto, mas ele tem muito a ganhar com a inserção da atividade moderada no dia a dia”, diz Sandra Mahecha Matsudo, médica e diretora-geral do Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul).

O centro é parceiro do American College of Sports Medicine há anos e foi o escolhido para liderar o “Exercise is Medicine” no Brasil.

RECEITA ESPECÍFICA

A ideia é que o médico aprenda a prescrever a atividade física para o paciente, de acordo com sua condição, e o indique para um profissional de educação física.

O programa americano tem “prescrições” de exercícios para diferentes doenças, como câncer, alzheimer, hipertensão e esclerose múltipla.

O projeto começará em São Paulo, numa parceria do Celafiscs com a Secretaria de Estado da Saúde e o apoio da Associação Médica Brasileira e da Associação Paulista de Medicina.

Nesta semana, 150 profissionais receberão treinamento, incluindo médicos, enfermeiros, educadores físicos e fisioterapeutas de 14 instituições -entre elas, Hospital das Clínicas da USP, hospital Albert Einstein, Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e as sociedades brasileiras de diabetes e cardiologia.

O programa deve ter seu acesso ampliado para o Estado por meio de uma rede virtual de capacitação. No futuro, haverá também uma discussão com o Ministério da Saúde sobre como levar o curso para todo o país.

Fonte: Folha.com

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2 respostas para Médicos vão receber treinamento para recomendar atividade física aos pacientes

  1. Roberto Meirelles disse:

    Creio que a senhora esta generalizando de forma preconceituosa em suas afirmações. Eu sou médico cardiologista e não prescrevo fisioterapia, eu indico, quando necessário a mesma e o paciente irá procurar um profissional da sua área. Bem como não prescrevo séries de exercícios, nem de RPG, nem de Pilates, pois não tenho formação e nem interesse em tal assunto. Agora prescrevo sim a prática de exercícios para meus pacientes, sei que para um cardiopata, dependendo da patologia que diagnostiquei, um exercício isotônico, isométrico ou misto poderia ser indicado, mas sua execução será definida por um educador físico. Recomendo a faixa tanto de intensidade de treinamento como de FC alvo em que o paciente deve permanecer e sei que será perfeitamente indicado pelo educador físico que acompanhar o paciente. Não interfiro em suas condutas como sei que a recíproca é verdadeira. Médicos com especialidades diferentes da minha atuam em práticas de exercício, reabilitação, com as prerrogativas da profissão médica mais as específicas de suas especialidades, como fisiatria, medicina do exercício e do esporte( medicina esportiva) , entre outras. Na reabilitação e promoção da saúde RPG, pilates são executados pelos profissionais que foram citados no seu artigo e médicos são os principais veículos de encaminhamento dos pacientes à vocês. A regulamentação da medicina( ato médico) em nada interferirá neste cenário. Ou seja polêmica desnecessária que está se tentando criar, muitas vezes(a maioria) nem leu o texto atual do projeto construído em 10 anos de discussões.

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    • Olá Roberto,
      Não estou generalizando de forma preconceituosa. Estou colocando minha opinião sobre um tema bastante delicado, pois da mesma maneira que você leva a sério a orientação da atividade física, existem médicos que prescrevem a fisioterapia como se fossem fisioterapeutas. Essa nova medida é bastante abrangente ao se referir ao treinamento para médicos, que muitas vezes não se preocupam em entender sobre fisiologia do exercício ou dos benefícios da prática de atividade física, e não se referindo a especialidades médicas que devem se ater com mais responsabilidade do assunto.
      Estou feliz por você ter se expressado, pois demonstra preocupação sincera e honesta de sua parte. Gostaria que meus pacientes tivessem um cardiologista como você, que orienta o seu paciente a um profissional capacitado, e não periodizando o treino sem profundidade no assunto ou negligenciando a importância da fase de reabilitação pós-hospitalar.

      Abraços,

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