Fisioterapia do “choquinho” (parte 2)

Este segundo post sobre as técnicas de eletrostimulação transcutânea (TENS) irá abordar aspectos mais técnicos e específicos que são mais direcionados aos profissionais da área de reabilitação.

Caso você seja leigo no assunto, e queira entender os conceitos da fisioterapia do “choquinho”, clique neste link para acessar o primeiro post da série.

A tecnologia TENS é um tipo de eletroterapia para redução da dor. É um aparelho que provoca uma série de “choquinhos” na pele por meio dos eletrodos com efeito analgésico. Como isso ocorre? A inibição da dor ocorre por estimulação das vias aferentes grossas; estas inibem as respostas nociceptivas no corno posterior da medula espinal via inibição segmentar – Teoria das Comportas (Melzack e Wall, 1965).

mecanismo dor crônica

Ou seja, a corrente elétrica do TENS é transmitida por vias nervosas rápidas (fibras A e Betas mielinizadas – aferentes grossas) que conduzem informações à medula e ao cérebro. Lembrando que o estímulo doloroso é transmitido por vias nervosas de condução lenta (fibras tipo C – aferentes finas).

Deste modo, o estímulo elétrico via TENS chega à medula de forma mais rápida, pois está utilizando as fibras A e Beta mielinizadas, bloqueando a transmissão do estímulo doloroso e estimulando a liberação de analgésicos endógenos (produzidos pelo próprio corpo), incluindo endorfinas e encefalinas (opióides endógenos).

TENS vias nervosas

O TENS “engana” o sistema nervoso central (SNC), induzindo-o a produzir e liberar substâncias analgésicas. Ao utilizar o TENS, o paciente não estará tratando o problemas, mas reduzindo os sintomas, que neste caso é a dor.

No Brasil, infelizmente por conta do sistema corrupto dos convênios médicos, muitos tratamentos de fisioterapia são reduzidos à aplicação do TENS, amenizando os sintomas e não tratando a raiz do problema. Nós sugerimos que o paciente procure um fisioterapeuta particular para a realização de um tratamento efetivo. Mesmo que algumas sessões particulares custem um pouco caro, é comum o fisioterapeuta fornecer laudos e relatórios que o paciente pode apresentar ao convênio médico pedindo o reembolso financeiro. O reembolso nunca é 100%, mas geralmente vale a pena.

 

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